#15
- Bruna Ribeiro

- 7 de jul. de 2020
- 1 min de leitura
O sexo estava no submundo, como as baratas. Com a queda do tabu sexo, ele invadiu a superfície. Como se as baratas invadissem a superfície e dominassem toda a área, pois têm uma população maior do que a dos seres que vivem ali. Mas passaram a ser baratas tontas nesse ambiente claro e limpo demais. Assim vive o sexo hoje, exposto demais, forçado a viver na cegueira causada pela claridade e higiene estética, procurando um caminho de volta, mas... As multidões de baratas pousam nas cabeças humanas e cada humano posta sua versão barata da forma mais clean possível, alguns com frases de autoajuda, outros com declarações de "amor". A domesticação das baratas já começou. A domesticação do sexo começou. A queda do tabu sexo é forma que nós, sociedade contemporânea, criamos para trazer o sexo para a superfície, atordoá-lo e depois domesticá-lo. E um bom animal domesticado precisa ser castrado também. Então, o sexo, castrado, perdeu o poder de animalizar e de proporcionar a experiência da vida e da morte. Às claras, o sexo se socializou.




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