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  • Foto do escritor: Bruna Ribeiro
    Bruna Ribeiro
  • 15 de abr. de 2019
  • 2 min de leitura

Atualizado: 21 de mai. de 2019

Escrevo pra me aprofundar em assuntos que preciso e descobrir a minha posição sobre as coisas. A escrita é a forma como consigo silêncio pra entender o mundo e a mim. Essa história começa no teatro, nos ensaios na biblioteca de uma escola pública. Mas em algum momento, não me lembro exatamente como aconteceu, eu deixei os ensaios, os palcos, o figurino (que rasgava a cada apresentação porque eu não me poupava). Em algum momento caminhei procurando sobreviver, discordando da morte do corpo, mas vivendo-a. A dor do enquadramento, eu me lembro como era sufocante, congelante, rígida. Sim! Esse foi o momento. Aconteceu assim. Do teatro para a TV. A escrita foi uma forma de me expandir, já que com o corpo não podia mais. Essa mesma dor, a dor do enquadramento, me arrebate num novo momento, um novo e velho momento. A angústia está a minha porta. Tempos sombrios. Tempo de retomar a existência da alma, com seriedade. Voltar ao teatro, viver o teatro (mesmo que dentro do enquadramento), devolver a vida também ao público. Que a passividade do público seja extinta! Precisamos todos viver. Minha inquietude quer criar o tempo todo, mas é preciso… ritmo. Sinto falta de seriedade e alegria nos últimos tempos. O clima irônico, sarcástico e pesado estagnou. Crio pela seriedade e alegria que preciso, que precisamos, mesmo que sejamos poucos, não importa. Somos sérios e alegres, suaves e intensos, seletivos e surpresos. Todos os dias me dedico à paz. A paz pra mim é ocupar meu espaço, é estar com quem me sinto bem, é não aceitar ofensa de qualquer natureza. Todos os dias faço a mesma coisa de muitas formas diferentes e em muitas situações diferentes. Eu digo não a todas as forças que tentam enfraquecer meu amor. E parece que estou deixando de amar, mas não, estou cuidando da minha condição de amar e de quem compartilha dela. Isso é vital, todos os dias. E nesse momento, cuidar da condição de amar se tornou um ato coletivo. Que me desculpem o desabafo, mas um período sombrio como esse me trouxe o alívio de não estar mais sozinha. Na guerra não existem disfarces. Não preciso mais me acostumar, nem tentar explicar porque não quero digerir coisas indigestas. Agora é visível e os grupos se separam naturalmente. Não preciso impor meus limites, eles também se impõem naturalmente. Tudo o que parecia ser disponível em mim (e que nunca foi) agora grita tão alto que eles não ousam se aproximar. Enfim, sinto muito por tudo o que está por vir e finco minha bandeira em campo aberto para que me vejam, para que vejam agora o desenho nítido do meu pensamento.



 
 
 

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